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the book keeper

12
Fev18

Também os brancos sabem dançar

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"Ninguém me pediu para virar missionário e enfrentar o mundo, como um Hélder,

a espalhar o evangelho do kuduro."

 

Depois de ter lido o primeiro livro de crónicas - O Angolano Que Comprou Lisboa (por metade do preço) - de Kalaf Epalanga, mais conhecido por integrar a banda Buraka Som Sistema, fiquei muito ansiosa por ler um romance da sua autoria. É que a escrita do Kalaf é "de se comer à colher", perdoem-me a expressão, mas é o mais próximo daquilo que sinto à medida que viro lentamente cada página. Algures entre a prosa e a poesia, cheia de cheiros, texturas e pequenos detalhes, a sua escrita faz-me apetecer ficar por ali e demorar-me um pouco mais. Esta nova obra, um trabalho de auto-ficção, leva-nos pela história do kuduro, da kizomba e de tantos outros géneros musicais sobre os quais confirmamos agora não saber mesmo nada. É absolutamente impressionante o conhecimento musical do autor que nos chega nas palavras de 3 personagens completamente diferentes e, no entanto, inequivocamente ligadas entre sí: o próprio, a mais bela bailarina de kizomba e um policia nórdico cheio de questões existenciais. Quanto saímos do registo biográfico, a coisa torna-se realmente interessante, embora nem sempre natural.

 

 Apesar de achar que às vezes o autor se perde nesta viagem pela história musical através de um discurso demasiado didáctico, este é um romance que recomendo vivamente. Fico no entanto curiosa para ler algo que fuja completamente às suas temáticas e realidade habituais.