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the book keeper

28
Ago17

A alegria

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"Descobrir mais alegria não nos salva da inevitabilidade das dificuldades e dos desgosto. De facto, poderemos chorar com maior facilidade, mas riremos também mais facilmente. Talvez fiquemos mais vivos. Porém, à medida que descobrimos mais alegria, conseguimos enfrentar o sofrimento de uma forma que enobrece em vez de amargurar. Experimentamos a dureza das coisas sem nos tornarmos duros. Quebra-se-nos o coração sem ficarmos quebrados."

 

Arcebispo Desmond Tutu

10
Jul17

The Fountainhead

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Considerado a obra prima da escritora Ayn Rand, The Fountainhead foi publicado 1943, após ter sido recusado por sete editoras e já foi vendido milhões de vezes no mundo inteiro. Esta é uma obra sobre o individualismo, não no sentido distorcido que a sociedade lhe tem dado, mas o individualismo utópico, o melhor do homem que origina o melhor nos seus semelhantes, na sociedade e na vida.

 

O protagonista da história é Howard Roark, um jovem arquitecto que não verga, não se submente, não pode ser domado, se isso significar comprometer a integridade do seu trabalho e das suas crenças. Homem à frente do seu tempo, Howard era moderno quando ser-se moderno era ser-se repudiado pelos seus pares e pela sociedade. Fez-me lembrar um bocadinho a postura dos japoneses em relação à escrita do Murakami.

 

Este é livro é uma crítica forte ao conformismo que nos obriga a comprometer aquilo em que verdadeiramente acreditamos. Howard Roark e Peter Keating são os opostos usados para demonstrar a teoria.

 

Não é uma leitura fácil mas não tenho mínima dúvida de que valeu a pena.  

 

14
Abr17

Gone Girl

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“There's a difference between really loving someone and loving the idea of her.”

 

Aqui está outro caso tardio. Lembro-me que houve muito falatório à volta do filme, mas como queria ler o livro primeiro acabei por não ir vê-lo ao cinema. Ficou esquecido, até à semana passada. A partir daí foi devorar página atrás de página desta história incrívelmente arrepiante, escrita pela Gillian Flynn.

Para quem como eu, permanece na ignorância, esta é a história do casal ideal: Nick e Amy Dunne. Dois jovens que se apaixonam arrebatadoramente em Nova Iorque. Vivem uma vida de sonho até que, com a crise imobiliária, perdem o emprego e se mudam para a terra natal de Nick, Carthage, no Missouri. A ação começa no dia em que fazem cinco anos de casamento. Amy desaparece, a casa parece ter sido assaltada, há indícios de violência. Todas as pistas apontam para o suspeito do costume. Conseguem adivinhar quem?

Não vou revelar mais nada porque não quero fazer spoilers. Quem já leu, o que achou?

 

12
Abr17

“love is a skill, not just an enthusiasm.”

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Pattern: Ashley Hastings

 

“Marriage: a hopeful, generous, infinitely kind gamble taken by two people who don’t know yet who they are or who the other might be, binding themselves to a future they cannot conceive of and have carefully omitted to investigate.”

 

Alain de Botton é um escritor suiço que ficou conhecido por aplicar ideias filosóficas ao quotidiano. Esta prática consolidou-se nos vários livros que tem escrito ao longo dos anos e também na criação da School of Life, uma escola dedicada a criar uma nova forma de educação, com o objetivo de trabalhar e desenvolver a inteligência emocional. Se não conhecem, visitem o site e preparem-se para ser agradavelmente surpreendidos.

 

The Course of Love é o primeiro livro que li deste autor e desconfio que não será o último. Como indica o título, o tema principal é o amor, mais especificamente, o desenrolar das relações românticas ou amorosas. Nele somos apresentados a um casal e enquanto ouvimos a sua história, o autor faz diversas pausas para racionalizar e interpretar ambos os lados da questão. A questão central é a ideia romântica, o passar dos casamentos arranjados para o ideal romântico e todas as suas premissas. Podia ser aborrecido, mas não é. O autor esforça-se por nos dar diferentes perspectivas e também por destacar a pressão que a nossa sociedade e também as nossas expectativas e personalidades exercem nas relações amorosas. Em última instância é sobre a dificuldade de ter uma relação longa, com alguém que não nós próprios ou os nossos pais. 

 

Se este tema vos interessa, o Alain de Botton é o vosso go-to. Garanto que vai pelo menos por-vos a pensar. 

 

 

10
Abr17

A Man Called Ove

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Illustration: campsis

 

“And time is a curious thing. Most of us only live for the time that lies right ahead of us. A few days, weeks, years. One of the most painful moments in a person's life probably comes with the insight that an age has been reached when there is more to look back on than ahead. And when time no longer lies ahead of one, other things have to be lived for. memories, perhaps.”

 

Eu nem sei por onde começar com este livro. É sempre assim com livros que me emocionam profundamente. 

A Man Called Ove, é sobre um velhote que perdeu a sua cara-metade e que por isso decide que não tem mais razões para viver. Ou pelo menos é o que ele acha porque a vida troca-lhe as voltas e põe no seu caminho uma família muito especial e um gato muito teimoso. A história é absolutamente ternurenta, particularmente na forma como nos conta o romance entre Ove e a sua mulher. Como é que duas pessoas tão diferentes podem completar-se, puxando pelo melhor de cada uma? É um livro que dá que pensar nas coisas importantes da vida. E o Ove era um homem de coisas realmente importantes, de valores e de princípios. O Ove roubou o meu coração e tenho a certeza que será capaz de roubar o vosso. :) Mal posso esperar para ver o filme!

 

A este respeito, aproveito para comentar que mais uma vez os escritores suecos me surpreendem. Nos mais diversos géneros, a literatura sueca tem vindo a posicionar-se no pódio dos meus favoritos. 

07
Abr17

Pluto: A Wonder Story

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Designs by: Miss Mandee

 

“And when good friends need us, we do what we can to help them, right?

We can’t just be friends when it’s convenient. Good friendships are worth a little extra effort!”

 

Pluto: A Wonder Story é um conto com a autoria da R.J Palacio que nos conta a história de dois melhores amigos que se vão separando à medida que crescem. Um é um miúdo normal, o outro tem uma grave deficiência facial. É uma história amorosa, onde se aborda a dificuldade em permanecermos amigos, em sermos altruístas, em fazermos a coisa certa. Porque quando crescemos, fica tudo mais díficil. 

 

Esta é na verdade uma espécie de prequela do famoso Wonder, no qual o amoroso Auggie Pullman é a personagem principal. Ainda não tive a oportunidade de o ler mas espero fazê-lo assim que possível. 

 

Apesar de pequenino, este é um livro intenso e muito especial. :)

04
Abr17

Eleanor & Park

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Digital art: abduzeedo

 

“Eleanor was right. She never looked nice. She looked like art, and art wasn't supposed to look nice;

it was supposed to make you feel something.”

 

Eleanor & Parkescrito por Rainbow Rowell, é um livro fofinho sobre dois misfits que se encontram e se apaixonam. Ela tem uma vida familiar muito díficil e ele não é como todos os rapazes da sua idade. Juntos descobrem o amor e a perda da inocência, partilham dores de crescimento e aprendem a dizer adeus. Gostei particularmente na descrição que cada um fazia do outro e dos seus sentimentos. O primeiro amor no seu melhor.

31
Mar17

The Handmaid's Tale

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Fotografia: From Up North 

 

“A rat in a maze is free to go anywhere, as long as it stays inside the maze.”

 

The Handmaid's Tale ou O Conto da Aia foi das melhores distopias que li nos últimos tempos. Conta-nos a história de uma mulher, no futuro, criada especificamente para procriar, que é mantida em casa dos seus proprietários como uma tábua de passar a ferro que se coloca na despensa e só se tira quando é precisa. A sociedade machista triunfou, o dinheiro e o poder são retirados às mulheres, a população é dividida em classes, identificadas pela cor do vestuário. Se gostam deste tipo de histórias, não podem perder esta.

 

Momento arrepiante: com o Trump a vencer na América e a extrema-direita a triunfar na Europa, já não me parece um futuro assim tão longíquo e impossível.

 

 

29
Mar17

A Amiga Genial

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Pattern/Illustration: Kate Pugsley

 

 Sinto que já cheguei atrasada à festa da Elena Ferrante, mas mais vale tarde do que nunca.

 

Comecei com este primeiro capítulo da amizade entre Lila e Elena, que ocupará ainda três outros livros. A minha expectativa era tão alta que talvez tenha contribuído para um primeiro impacto pouco emocionante. Mas persisti e fui lendo a história destas duas personagens tão distintas e, ao mesmo tempo, interdependentes.

 

 

Devo dizer que a autora capta como poucos a complexidade de uma amizade entre duas mulheres. E foi isso que mais me fascinou no livro. Amizade, competição, inveja, amor. São tantos e tão complexos os sentimentos que compõe uma relação entre duas mulheres. Outro aspecto inegável é a mestria com que consegue levar-nos a um bairro popular napolitano típico, fazendo-nos sentir um dos moradores, vivendo entre tão ricas personagens, acompanhando o seu desenvolvimento pessoal e social, como qualquer vizinho faria.

 

Fiquei curiosa e vou querer saber mais. Cheira-me que a Elena Ferrante não é uma paixão fugaz, é um gosto adquirido, daqueles que ficam para a vida. 

26
Mar17

Nem todas as baleias voam

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 Pattern: Minakani

 

"Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, para cativar a juventude de Leste para a causa americana. É neste pano de fundo que conhecemos Erik Gould, pianista exímio, apaixonado, capaz de visualizar sons e de pintar retratos nas teclas do piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que encontrará dentro de uma caixa de sapatos um caminho para recuperar a alegria."

 

Este foi o meu primeiro contacto com Afonso Cruz e arrisco dizer que poderá ter sido amor à primeira vista. Através de Erik Gould e do seu filho Tristan, o autor consegue dizer o indizível. Talvez por isso me seja tão díficil escrever sobre este livro. Porque não tenho o mesmo dom. Através da sinestesia, da música e da memória, o autor explora os sentimentos e laços entre seres humanos, em diferentes fases da sua vida. Mais do que o pai, capaz de pintar retratos com notas de música, fiquei fascinada com o pequeno Tristan e os seus companheiros. Aqueles que nos acompanham todos os dias, mas que não conseguimos ver. É também profundamente tocante a forma com descreve a experiência do pós-guerra e das dores fantasma que os ex-combatentes levam consigo. E como explora o acto da criação, na figura de um psicopata sádico e perturbado. Não é um livro fácil. Senti-o como uma pintura abstracta, à qual vamos acrescentando pormenores sempre que a olhamos, uma e outra vez. Não pode ser apreendida à primeira. Porque é complexa. Como as pessoas e os sentimentos entre elas. 

 

Para terminar deixo-vos o meu excerto favorito:

 

"Até onde podemos esticar o amor? Até à pele do outro ou mais longe? Será possível que atravesse o tempo, o espaço, que voe por cima do deserto jordano e atravesse o Índico e suba o Hindukush e penetre na boca do Vesúvio, será possível que se estenda para lá da vida, que voe pelo cosmos como aqueles cometas solitários que deambulam milhões de anos numa solidão infinita e silenciosa? Talvez seja isso tudo, e mais ainda, talvez seja possível enfiá-lo numa garrafa e atirá-lo ao mar para que navegue até ao destino, que é a espinha do amor, que é o que o faz mover."