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the book keeper

10
Set16

A Cor do Hibisco

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Ilustração: Meredith Pardue

 

“Percebi então que era precisamente isso que a Tia Ifeoma fazia com os meus primos: colocar-lhes a barra cada vez mais alto através da maneira como falava com eles, através do que esperava deles. Fazia-o sempre com a convicção de que saltariam por cima da barra. E eles saltavam. Comigo e com o Jaja era diferente: não saltávamos por cima da barra por estarmos convencidos de que éramos capazes, fazíamo-lo porque tínhamos pavor de não conseguir.”

 

A Chimamanda Ngozi Adichie é uma extraordinária contadora de histórias. A Cor do Hibisco conta-nos a história de Kambili e Jajadois irmãos filhos de um típico homem grande da Nigéria, que entre outras particularidades é extremamente religioso, a um nível muito próximo da loucura e obsessão religiosa. A primeira parte da história é pautada pelo silêncio, pela repressão, pelo medo que se vive na casa onde Kambili, Jaja e a sua mãe, Beatrice, vivem “em bicos dos pés” tentando não pisar os sensíveis calos de Eugene. A escritora é mestra em descrever a situação familiar onde tantas vezes se confunde violência com dedicação e preocupação, e onde a falta de auto estima faz com que práticas de verdadeiro horror se tornem aceitáveis. Muitas vezes me senti a deixar de respirar, a temer que o pai deles aparecesse, tal é o poder das descrições.  O segundo momento da história é desencadeado pelo aparecimento da Tia Ifeoma, uma mulher independente, viúva, cuja abordagem educativa dos próprios filhos é completamente oposta à do irmão. Este novo tipo de vivência desperta nos dois irmãos uma total perplexidade que rapidamente se transforma em algo confortável e posteriormente desencadeia a revolta e o confronto. Como pano de fundo a escritora descreve um golpe de estado na Nigéria e todos os acontecimentos que dele derivam. Os subornos, a falta de condições de vida, as manifestações de estudantes… Mas centramo-nos no crescimento destas duas personagens, que aprendem a olhar para os outros para se descobrirem a si mesmos, como botões de hibisco que se abrem para receber o sol. É sem dúvida uma história maravilhosa pelo pulso da talentosa Chimamanda Ngozi Adichie.